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Desde 1972 · Baixa do Porto · A nossa história

Capa Negra: o nome, a família e o molho que só uma pessoa sabia fazer

Antes de ser um prato, o Capa na Baixa é uma família e uma cidade. Esta é a história de como um nome académico do Porto se tornou uma casa de francesinhas, e das pessoas que a mantiveram viva durante mais de cinco décadas.

Praça de Dom João I, Porto — a mesma morada desde 1972
  1. 1972Os irmãos Fontes abrem a Capa Negra II
  2. 2016Nasce o Capa na Baixa e o jardim interior
  3. HojeDuas gerações, a mesma família, o mesmo molho

IPorque “Capa Negra”

O nome não nasceu na cozinha — nasceu na rua. O Porto não tem a universidade mais antiga de Portugal (essa honra é de Coimbra), mas tem, de longe, a maior comunidade académica do país, com um mundo próprio de tradições, códigos e segredos que os estudantes passam de geração em geração.

A capa negra é o traje académico portuense por excelência: a capa comprida e escura que os praxistas vestem e que carrega, bordada ou cosida por dentro, as marcas da sua faculdade e da sua vida universitária. Escolher esse nome para o restaurante, em 1972, foi uma homenagem direta a essa tradição estudantil — a um Porto que se orgulha do que guarda por dentro, tal como a capa guarda os seus segredos por baixo do pano escuro.

A sala do Capa na Baixa, hoje
A sala do Capa na Baixa, hoje

II1972: os quatro irmãos Fontes

A 30 de agosto de 1972, José, Manuel, António e Amândio Fontes abriram a Capa Negra II na Baixa do Porto. Mais de cinquenta anos depois, a casa continua nas mãos da mesma família — e, em grande parte, da mesma primeira geração.

António Fontes já faleceu, mas o seu nome permanece ligado à fundação da casa. José Fontes está hoje maioritariamente reformado, ainda que continue a aparecer todos os dias no Capa Negra para ver como corre tudo. A gestão do dia a dia está sobretudo a cargo de Amândio Fontes, o irmão fundador mais carismático e uma figura muito acarinhada na Invicta: portista fervoroso, amigo pessoal de Jorge Nuno Pinto da Costa e homem de forte ligação à Igreja Católica e à Diocese do Porto.

Rissóis de carne da vazia — receita intocada desde 1972

IIIA segunda geração: Nuno e Ana Fontes

A segunda geração da família é composta por Nuno Fontes e Ana Fontes. Nuno Fontes ganhou um perfil mais público durante a pandemia, quando se destacou pela sua intervenção pública e pela luta em defesa da restauração nacional — uma voz num setor duramente atingido, cujas opiniões passaram a ser muito valorizadas para lá do universo do restaurante.

É essa mistura entre a discrição da primeira geração e a exposição pública da segunda que define hoje o Capa na Baixa: uma casa que aprendeu a olhar para fora sem deixar de fazer as coisas como sempre fez.

O jardim interior, novidade de 2016 no coração da Baixa
O jardim interior, novidade de 2016 no coração da Baixa

“Dizia-se que só o trabalhar do seu braço já fazia diferença.”

Sobre o Zezinho, o cozinheiro do molho
O molho, servido como o Zezinho ensinou

IVO molho e as mãos do Zezinho

Durante anos, só um cozinheiro sabia fazer o molho da francesinha do Capa Negra: o Zezinho. Dizia-se na casa que nem era só a receita — era o próprio trabalhar do seu braço que fazia a diferença, um gesto e um tempo que não se escreviam numa folha de papel.

O Zezinho teve, entretanto, de se reformar. Mas o seu legado não foi embora com ele: a receita e, sobretudo, a cerimónia com que o molho é preparado — as horas de cozedura lenta, a atenção a cada fase — mantêm-se exatamente como ele as deixou. É essa continuidade, mais do que qualquer ingrediente secreto, que explica porque é que a francesinha do Capa na Baixa continua a saber, meio século depois, ao mesmo molho de sempre.

O molho, servido como o Zezinho ensinou
O molho, servido como o Zezinho ensinou

V2016: nasce o Capa na Baixa

Em 2016, a casa ganhou um visual contemporâneo e um jardim interior — e um novo nome para essa nova fase, Capa na Baixa. Mas a alma, a receita e sobretudo a família por trás do balcão são exatamente as mesmas da Capa Negra II de 1972. Hoje, com 120 lugares, esplanada e jardim interior no coração da Baixa do Porto, o Capa na Baixa é, ao mesmo tempo, a continuação de uma tradição académica de meio século e a casa de duas gerações da mesma família.

Praça de Dom João I, Porto — a mesma morada desde 1972
Praça de Dom João I, Porto — a mesma morada desde 1972
O jardim interior, novidade de 2016 no coração da Baixa
O jardim interior, novidade de 2016 no coração da Baixa

A casa, em imagens

Rissóis de carne da vazia — receita intocada desde 1972
Rissóis de carne da vazia — receita intocada desde 1972
Fino bem tirado
Fino bem tirado
T-bone na brasa
T-bone na brasa
Cervejas exclusivas da casa
Cervejas exclusivas da casa

Venha conhecer a casa. A mesa está posta desde 1972.

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Perguntas frequentes

Quem fundou o Capa Negra?

Os quatro irmãos Fontes — José, Manuel, António e Amândio — abriram a Capa Negra II na Baixa do Porto a 30 de agosto de 1972.

Porque se chama “Capa Negra”?

É uma homenagem à tradição académica do Porto: a capa negra é o traje que os estudantes portuenses vestem, marcado por dentro com os símbolos da sua faculdade e da sua vida universitária.

Quem gere o restaurante atualmente?

A gestão está sobretudo a cargo de Amândio Fontes, um dos irmãos fundadores. José Fontes está maioritariamente reformado mas continua a visitar a casa diariamente. A segunda geração, Nuno e Ana Fontes, tem um papel cada vez mais ativo.

A receita do molho da francesinha mudou?

Não. Durante décadas, só um cozinheiro, o Zezinho, sabia fazê-la. Depois de se reformar, a receita e a cerimónia de preparação mantiveram-se exatamente como ele as deixou.

Qual é a diferença entre a Capa Negra II e o Capa na Baixa?

Nenhuma na essência: em 2016, a casa fundada em 1972 como Capa Negra II ganhou um visual contemporâneo, um jardim interior e o nome Capa na Baixa, mantendo a mesma família, a mesma receita e a mesma morada na Baixa do Porto.